Nesse ano de 2020 ocorreria um encontro presencial em Fortaleza com a comunidade de Altas Pressões do país. Entretanto, por conta da pandemia da COVID-19, esse encontro foi postergado para o ano de 2021. De qualquer forma, esse é um período que pode ser usado para resgatarmos um pouco a história dessas conferências. De acordo com um levantamento realizado recentemente, até o presente momento tivemos 10 encontros/ workshops/ conferências sobre o tema de Altas Pressões no Brasil (sem contar escolas). Dessas dez conferências, quatro tiveram um caráter internacional (as descritas em 4, 6, 9 e 10). Segue, então, os encontros com os seus títulos, as datas de realização, as cidades onde ocorreram e os seus organizadores.
domingo, 1 de novembro de 2020
Encontros de Altas Pressões
quinta-feira, 1 de outubro de 2020
2-hydroxy- 3,4,6-trimethoxyacetophenone
A acetofenona 2-hydroxy-3,4,6-trimethoxyacetophenone (C11O5H14) foi obtida de uma planta, Croton anisodontus Müll. Arg., que é uma espécie endêmica da caatinga do Nordeste do Brasil. Esse estudo, portanto, continua uma linha de pesquisa no laboratório que visa caracterizar as propriedades vibracionais e estruturais de substâncias extraídas de plantas do bioma especificado acima. O artigo é parte da tese de doutorado do Prof. Roberto Namor Silva Santiago da UFERSA. Nele, estuda-se o comportamento da acetofenona a baixas temperaturas e a altas pressões. No que se refere especificamente ao estudo de pressão descobriu-se que a estrutura é estável até a máxima pressão estudada nos experimentos, no caso, 9,7 GPa. Entretanto, pequenas mudanças conformacionais - possivelmente mantendo a simetria da célula unitária invariante - foram também observadas. [Low-temperature and high-pressure Raman spectroscopy of 2-hydroxy-3,4,6- trimethoxyacetophenone isolated from the Croton anisodontus Müll. Arg., R.N.S. Santiago et al., Vibrational Spectroscopy 110, 103143 (2020)].
segunda-feira, 21 de setembro de 2020
Deoxyadenosina monohidratada
Existem oito nucleosídeos que constituem o DNA e o RNA, quais sejam, adenosina, guanosina, citidina, uridina, 2'-deoxiadenosina, 2'-deoxiguanosina, 2'-deoxicitidina e timidina (algumas vezes o símbolo 2' não é colocado explicitamente na nomenclatura das moléculas). Alguns deles já tiveram as suas propriedades vibracionais sob altas pressões investigadas por diversos laboratórios. Nesse trabalho o comportamento do cristal de deoxyadenosina monohidratado foi investigado sob condições de altas pressões de até 5,6 GPa. Uma possível transição de fase foi observada entre 0,6 e 0,8 GPa, como indicado por descontinuidades nos números de onda de alguns modos, incluindo de baixos números de onda. Adicionalmente, modos internos foram observados modificando-se durante a transição, incluindo a separação de um modo associado com uma deformação de um grupo HOC pertencente ao açúcar. É interessante que esse grupo de átomos participa de uma ligação de hidrogênio, indicando que a transição de fase envolve esse grupo particular. Note-se ainda que diferentemente do anel de 6 membros, o anel de 5 membros, como é o caso do açúcar nos nucleosídeos, são muito mais flexíveis. Assim, a transição pode ser interpretada como sendo parcialmente devida ao enrugamento do anel do açúcar, em particular, envolvendo o carbono C3'. Acima de 0,8 GPa os espectros variam continuamente, indicando que a célula unitária do cristal vai se adaptando continuamente na nova estrutura de alta pressão. [J.S.M. Quimbayo, R.A. Lima, D.L.M. Vasconcelos, P.T.C. Freire, Vibrational Spectroscopy 110, 103140 (2020)].
terça-feira, 28 de julho de 2020
Glifosato
domingo, 26 de julho de 2020
Hidrogênio metálico
A Figura 2 apresenta três momentos das medidas de altas pressões, conforme reportado por Dias e Silvera na Ref. [2]. Em 205 GPa, o hidrogênio molecular apresenta-se como uma substância transparente. Em 415 GPa, o hidrogênio molecular, numa outra fase, aparece como uma substância opaca. Finalmente, em P = 495 GPa, o hidrogênio apresenta-se na fase metálica sólida, refletindo a luz que é lançada pela parte superior da célula de pressão; essa é a primeira evidência em laboratório de que o hidrogênio sob altas pressões é um sólido metálico. Assim, 81 anos após a previsão teórica de Wigner e Huntington ter sido feita [3], finalmente o hidrogênio metálico foi encontrado.
Do ponto de vista experimental, o experimento realizado por Dias e Silvera é de grande complexidade. Isso se deve à grande difusividade do hidrogênio na gaxeta metálica e nos defeitos do diamante, à sua alta reatividade química com os materiais ao seu redor e à sua forte compressibilidade [4]. Por conta disso, hoje, em março de 2017, muitos cientistas não acreditam que o hidrogênio metálico tenha sido realmente conseguido. Por exemplo, Paul Loubeyre, do Atomic energy Research Centre for Military Applications, na França, não acredita que eles tenham atingido a pressão de 495 GPa [4]. Segundo ele, as células de pressão, tal como os diamantes são desenhados, não conseguem ultrapassar 350 GPa: "Para se atingir pressão acima de 400 GPa um novo tipo de formato do diamante é necessário. além disso, a análise da refletividade está incorreta" [5]. Mikhail Eremets, do Max Planck Institute for Chemistry in Mainz, na Alemanha, também acredita que há erros nos cálculos acerca da refletividade, característica que se constitui no principal indício da metalização do hidrogênio.
Além disso, Eremets e Drozdov (ED) acreditam que a pressão foi superestimada [6, 7]. Eles questionam o método de medida de pressão dos autores Dias-Silvera (DS). De fato, DS utilizaram os giros do parafuso da célula de pressão como o método indireto para medida deste parâmetro termodinâmico para P > 300 GPa. Mas como muito bem notado por ED, a pressão que está sendo aplicada numa amostra depende da geometria particular dos diamantes, da gaxeta, etc. A cada experimento, determinados valores de rotação do parafuso corresponderão a distintos valores de pressão. Para ilustrar esse ponto, ED recuperam os dados publicados há dez anos por Akahama [8], que mostram que com diferentes dimensões do culet do diamante, obtêm-se diferentes pressões com um mesmo avanço do pistão (Figura 3).
ED [6] lembram ainda que a escala de pressão do diamante (isto é, da frequência de vibração dos grupos C - C) é estabelecida pela equação de estado dos metais até 400 GPa. Uma dependência linear do desvio Raman é válido apenas até cerca de 300 GPa e para pressões maiores uma escala não linear deverá ser utilizada. ED lembram que tal fato foi confirmado medindo-se a equação de estado do ouro até 400 GPa. Entretanto, no trabalho de DS, os autores utilizam uma escala linear, fornecendo um valor máximo de 495 GPa; se a escala utilizada tivesse sido a não-linear, eles teriam atingido a improvável pressão de 633 GPa! Além disso, ED lembram que é surpreendente DS atingirem 495 GPa com um diamante de 30 a 35 micrômetros de bigorna de chanfro simples, uma vez que o recorde é 450 GPa com bigornas do mesmo tipo, mas medindo de 15 a 20 micrômetros. Mesmo o argumento de DS que eles realizaram um etching sobre a superfície do diamante para remover os defeitos ali existentes e propiciar o alcance de uma maior pressão não justificaria a pressão supostamente atingida, haja vista que com esta metodologia não é possível ultrapassar 400 GPa de pressão.
ED também acreditam, baseado na análise cuidadosa do espectro Raman do diamante apresentada por DS, que a pressão no experimento desses últimos autores era da ordem de 380 GPa. Contudo, ED anteriormente haviam observado uma transição a uma nova fase condutora de baixa temperatura, possivelmente metálica, conforme mostraram certas evidências como a queda da resistência e o desaparecimento do sinal Raman em 360 - 380 GPa. O experimento de ED foi repetido três vezes em 2016, mas mesmo assim eles acreditam que seriam necessários mais experimentos. Além disso, ED afirmam que as reflexões, separadamente, podem ser evidência apenas do hidrogênio indo para a fase III, que não é metálica, pois o sinal Raman ainda está presente. Assim, ED acreditam que este fato seria outra evidência que DS estariam realmente em pressões abaixo de 400 GPa, tal qual os seus antigos experimentos.
Nessa mesma direção, Loubeyre, Occelli e Dumas (LOD) [4] apontam que é surpreendente que no trabalho de DS o hidrogênio se torne negro em 400 GPa, quando o trabalho do grupo de LOD mostrou 15 anos antes que este fenômeno acontece em 320 GPa, portanto 80 GPa abaixo do que acreditam os autores da Ref. [2]. Isso seria outro indicativo da superestimação do valor da pressão no experimento de Dias - Silvera. De fato, é mais ou menos consenso entre vários grupos [utilizando diversos tipos de calibração] que o hidrogênio negro ocorra para pressões da ordem de 300 GPa na temperatura de 80 K. É de se notar ainda que se for utilizado uma fórmula empírica de Ruoff, para o valor do diâmetro do culet do diamante utilizado, a pressão máxima atingida por Dias - Silvera teria sido de aproximadamente 340 GPa, e jamais 495 GPa!
No que diz respeito às medidas de reflexão, ED também levantam algumas dúvidas. Em primeiro lugar, a alumina que foi colocada sobre a superfície do diamante pode refletir igual ao alegado hidrogênio metálico. Desta forma, ED sugerem que outro tipo de protetor seja usado sobre o diamante. O ideal, segundo ED, teria sido a realização de medidas de condutividade. Contudo, devido à ausência destas medidas mais definitivas, DS mediram a refletividade acoplada ao uso da teoria de Drude dos elétrons livres. Entretanto, este método exigiria medida de refletividade em uma grande região espectral, e não em apenas quatro pontos do espectro visível. ED questionam onde é a superfície de referência, como a luz incidente atingiu a célula de pressão, se os diamantes eram perfeitamente planos e não na forma de um espelho convexo o que induziria um brilho adicional, etc [6]. Finalmente, outro detalhe relatado pela Ref. [6] é a lembrança de que os diamantes absorvem luz, mas o gap de energia da banda diminui bastante em virtude da aplicação da pressão uniaxial. Isso significa que uma correção deveria ter sido feita, mas embora DS a façam no seu trabalho, o procedimento é indevido uma vez que eles usam os dados de um aparato relativo a um outro experimento.
Referências:
[3] E. Wigner, H. B. Huntington, On the Possibility of a Metallic Modification of Hydrogen. J. Chem. Phys. 3, 764-770 (1935).
[4] P. Loubeyre, F. Occelli, P. Dumas, 2017, arxiv: 1702.07192.
[5] P. Ball, Controversial metallic hydrogen calim under new scrutiny, 10/03/2017 https://www.chemistryworld.com/news/controversial-metallic-hydrogen-claim-under-new-scrutiny-/2500534.article
[6] M.I. Eremets, A.P. Drozdov, 2017, arxiv: 1702.05125.
[7] A.F. Goncharov, V. Struzhkin, 2017, arxiv: 1702.04246.
[8] Y. Akahama, 2007. Diamond anvil Raman gauge in multimegabar range. Workshop on Pressure scale. Jan. 26-28 2007 Geophysical Lab, CIW.
terça-feira, 14 de julho de 2020
Haloperidol
O haloperidol, C21H23ClFNO2, é um fármaco antipsicótico usado para tratar os sintomas da esquizofrenia. Nesse trabalho investigou-se os modos normais do cristal de haloperidol em pressões de até 5,9 GPa. Inicialmente foi feita uma análise dos modos normais de vibração do material utilizando-se cálculos de primeiros princípios, o que forneceu uma classificação tentativa dos mesmos. No que diz respeito ao comportamento do material sob altas pressões, os resultados mostraram que ocorrem modificações em modos de baixa energia, correspondentes aos modos da rede, portanto, relacionados com a simetria da célula unitária. Também foram observadas mudanças em modos internos associadas a vibrações das moléculas. As mudanças - aparecimento e desaparecimento de modos e descontinuidades na evolução das curvas de frequências em função da pressão - ocorrem nas pressões de 2 GPa e 4,2 GPa. Em 2 GPa a transição de fase é classificada como estrutural porque envolve claras mudanças em modos de rede, enquanto que a transição em cerca de 4,2 GPa está associada a pequenas mudanças conformacionais das moléculas de haloperidol envolvendo ligações de hidrogênio. [R.A. Lima, J.S.M. Quimbayo, D.L.M. Vasconcelos, C.B. Silva, J.V. Santana, G. Zanatta, V.N. Freire, P.T.C. Freire, Vibrational Spectroscopy 109, 103103 (2020)].
domingo, 28 de junho de 2020
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Memorial: Prof. José Alves
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