Os sais de Tutton sulfatados constituem uma família de sulfatos duplos com fórmula geral MC₂BC(SO₄)₂(H₂O)₆, na qual MC é um cátion monovalente (como K⁺, Rb⁺, Cs⁺, NH₄⁺ ou Tl⁺) e BC é um íon de metal de transição divalente (Mg²⁺, Mn²⁺, Fe²⁺, Co²⁺, Ni²⁺, Cu²⁺ ou Zn²⁺). Em geral, estes compostos cristalizam-se em simetria monoclínica (P2₁/a ou P2₁/c), com duas unidades por célula unitária (Z = 2). Nessa estrutura, o centro metálico divalente apresenta coordenação octaédrica por seis moléculas de H₂O, enquanto o cátion MC, em geral, é circundado por átomos de oxigênio provenientes tanto das moléculas de H₂O quanto dos grupos [SO₄]²⁻, formando uma rede supramolecular altamente organizada, sustentada por uma extensa rede de ligações de hidrogênio O–H···O. A variação sistemática dos íons MC e BC ao longo da série dos sais de Tutton tornou esses compostos sistemas-modelo clássicos para investigar a interação entre efeitos do campo cristalino, distorções Jahn–Teller e ligações de hidrogênio e dinâmica da rede cristalina. O estudo apresentado neste artigo - mais uma colaboração entre o Programa de Pós-Graduação em Ciências dos Materiais da Universidade Federal do Maranhão e o Laboratório de Altas Pressões da Universidade Federal do Ceará - investiga o comportamento sob alta pressão do sal de Tutton (NH₄)₂Cu(SO₄)₂(H₂O)₆, utilizando espectroscopia Raman in situ até 6,5 GPa, complementada por cálculos de DFPT. Em condições ambientes, o composto apresenta estrutura monoclínica (P2₁/a), cuja estabilidade é determinada principalmente por uma rede cooperativa de ligações de hidrogênio O–H···O e N–H···O. Sob compressão, foram identificadas duas transições de fase, em aproximadamente 2,5 e 4,8 GPa, precedidas por uma desestabilização estrutural local abaixo de 1,6 GPa. Os cálculos revelaram um mecanismo de densificação em duas etapas: inicialmente, a compressão ocorre principalmente pelo colapso dos espaços intermoleculares, enquanto, em pressões superiores a 4,8 GPa, passa a ser acomodada pela deformação do octaedro [Cu(H₂O)₆]²⁺ e pelo aumento da distorção Jahn–Teller. Os resultados destacam o papel fundamental da compressibilidade da rede de ligações de hidrogênio e da distorção Jahn–Teller do Cu²⁺ na estabilidade mecânica e no diagrama de fases sob pressão dos sais de Tutton. [Otavio C. da Silva Neto, Eduardo S. Alves, Raí F. Jucá, Rômulo S. da Silva, Lucas S.A. Olivier, José G. da Silva Filho, José A. de Lima Júnior, Paulo T.C. Freire, Eliana B. Souto, Rossano Lang, Adenilson O. dos Santos, João G. de Oliveira Neto, Spectrochimica Acta A 364, 128531 (2027)]
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Sal de Tutton (NH4)2Cu(SO4)2(H2O)6
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