sábado, 28 de fevereiro de 2026

Ácido L-ascórbico

Muitas das propriedades físico-químicas do ácido L-ascórbico e sua estrutura cristalina sob diferentes condições termodinâmicas permanecem como questões em aberto na comunidade científica, embora ele seja amplamente utilizado em diversos setores industriais. Há poucos estudos disponíveis na literatura atual que se concentrem em seu comportamento termodinâmico. Um estudo experimental de destaque foi conduzido por Saraiva et al. Com o objetivo de elucidar os efeitos da temperatura sobre as bandas Raman do cristal em sua fase monoclínica, os autores relataram uma mudança conformacional ocorrendo entre 200 e 270 K, atribuída a rearranjos na rede de ligações de hidrogênio do cristal. No artigo agora publicado - coordenado pelo Prof. Francisco F. Sousa, da Universidade Federal do Pará - apresenta-se um estudo sistemático sobre a estabilidade do cristal de ácido L-ascórbico sob pressão, utilizando espalhamento Raman e difração de raios X por síncrotron. A aplicação de alta pressão induziu uma rica sequência de transições de fase, refletindo a notável flexibilidade de sua rede de ligações de hidrogênio. Para alcançar uma melhor interpretação das transições de fase em pressões mais baixas (0,00–5,90 GPa), foram realizados cálculos periódicos de teoria do funcional da densidade (DFT) em diferentes valores deste parâmetro termodinâmico (0,0; 2,0; 3,0; e 6,0 GPa). Uma análise Raman detalhada foi conduzida na faixa espectral de 65 a 1550 cm⁻¹. As alterações espectrais observadas foram interpretadas como duas transições de fase conformacionais ocorrendo entre 1,24–2,10 GPa e 5,80–7,50 GPa, e duas transições de fase estruturais entre 4,79–5,74 GPa e 8,90–12,50 GPa. Também é apresentada uma atribuição confiável dos modos Raman e infravermelho inter- e intramoleculares, baseada em cálculos periódicos de DFT sob condições de temperatura e pressão ambientes. [L.S. Ribeiro, A.J.P. Cordeiro, N.M. Souza Neto, J.G. Silva Filho, G.D. Saraiva, A.O. Santos, P.T.C. Freire, S.G.C. Moreira, F.F. Sousa, Chemical Physics 605, 113114 (2026)]



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Ácido fitálico

O ácido ftálico (AF) é um ácido dicarboxílico aromático cuja estrutura molecular consiste em um anel benzênico contendo dois grupos carboxila (–COOH). Devido a esses substituintes, o AF é um composto polar, o que explica sua solubilidade em água e em outros solventes polares. Esses grupos também são centrais para as interações intermoleculares do AF, dando origem a ligações de hidrogênio e efeitos de empilhamento π–π. Tanto o AF quanto seus derivados encontram ampla aplicação na indústria de polímeros. Em particular, a forma anidrida do AF é um importante precursor para a síntese de ftalatos. Esses compostos são comumente utilizados como plastificantes, aumentando a flexibilidade, a resistência mecânica e a durabilidade de produtos poliméricos. Compostos à base de AF estão presentes em uma grande variedade de materiais do cotidiano, abrangendo desde brinquedos, tintas, adesivos, lubrificantes e embalagens até produtos de construção, cosméticos, eletrônicos e até dispositivos médicos. O AF foi investigado sob condições de alta pressão variando de 1,0 atm a 9,8 GPa, na faixa espectral de 100–3200 cm⁻¹, utilizando espectroscopia Raman combinada com cálculos de DFT; esta pesquisa foi comandada pelo Prof. José Alves de Lima Jr., do LAP-UFC. A conformação estrutural e os parâmetros da célula unitária monoclínica foram avaliados por meio de cálculos ab initio e comparados com dados da literatura reportados à pressão ambiente. Adicionalmente, a análise de superfície de Hirshfeld foi empregada para examinar tanto as interações de empilhamento π–π entre as moléculas quanto a simetria da rede de ligações de hidrogênio. A análise espectral Raman revelou que a compressão não induziu qualquer transição de fase dentro da faixa de pressão investigada. Os cálculos ab initio sugerem que as interações intermoleculares, particularmente as ligações de hidrogênio e o empilhamento de grupos aromáticos, desempenham um papel crucial na manutenção da estabilidade estrutural do AF sob condições de alta pressão. [F.V.S. Oliveira, R.S. da Silva, L.S.A. Olivier, P.T.C. Freire, Carlos Emídio, J.A. Lima Jr. , J. Mol. Struct. 1355, 145050 (2026)]


Avaliações Quadrienais da CAPES

O Laboratório de Altas Pressões do Departamento de Física da Universidade Federal do Ceará contribui, assim como os demais laboratórios exis...