(Trabalho coordenado por pesquisador da Universidade Federal do Maranhão, em Imperatriz). O bromohidrato de L-tirosina (LTHBr) é um cristal com características de material óptico não-linear, com potencial para ser utilizado em fotônica, na fabricação de dispositivos ópto-eletrônicos. No presente estudo, submeteu-se o LTHBr a pressões de até 8 GPa, investigando-se por espectroscopia Raman a região espectral 100 - 3200 cm-1.. Inicialmente procedeu-se a uma análise através do refinamento Rietveld. A seguir, estudou-se o comportamento dos modos vibracionais com a pressão. A região dos modos da rede, que ocorrem em baixos números de onda, mostrou modificações muito claras entre 3,1 e 4,2 GPa, tanto pelo aparecimento de novas bandas quanto por mudanças nos valores dos coeficientes das curvas que ajustam os pontos experimentais dω/dP. Essa modificação foi interpretada como uma transição de fase estrutural. Uma mudança conformacional adicional é sugerida ocorrendo acima de 5,8 GPa devido o aparecimento de um ombro na banda de 280 cm-1 e inversão de intensidade em certas bandas de mais altos números de onda. [C.A.A.S. Santos, R.J.C. Lima, W. Paraguassu, J.G. da Silva Filho, A.O. dos Santos, J.A. Lima Jr., P.T.C. Freire, P.F. Façanha Filho, Spectrochimica Acta A 263, 120142 (2021)].
quarta-feira, 11 de agosto de 2021
terça-feira, 27 de julho de 2021
Maleato de glicina
(Trabalho coordenado por pesquisador da Universidade Federal do Maranhão, em Imperatriz). Nesse artigo apresenta-se um estudo através de espectroscopia Raman dos modos vibracionais de cristais de maleato de glicina quando submetidos a pressões de até 5,6 GPa. Ácidos dicarboxílicos são moléculas orgânicas consistindo numa cadeia linear de carbono com dois grupos carboxílicos em suas extremidades; o ácido maléico é um exemplo dessa classe. A glicina, por sua vez, é um aminoácido que possui uma série de polimorfos e, sob altas pressões, apresenta estruturas cristalinas diversas. Realizou-se uma otimização da geometria e a seguir calculou-se a atividade Raman e as intensidades dos modos vibracionais utilizando-se teoria do funcional de densidade. O refinamento do difratograma de raios-X confirmou que o material cristaliza-se numa estrutura monoclínica C2/c com oito moléculas por célula unitária. A interação molecular glicinium - íons semi-maleato é mantida por ligações de hidrogênio em camadas moleculares duplas paralelas à diagonal do plano ac. Os grupos carboxílicos também formam ligações entre si. Modificações na intensidade relativa de bandas associadas a modos da rede em 0,3 GPa foram interpretados como rearranjamento de ligações de hidrogênio. Adicionalmente, entre 1,7 e 4,8 GPa os espectros Raman indicam que o cristal sofre uma lenta transição de fase que foi confirmada por análise PCA. Os resultados podem ser interpretados como a ocorrência de um abaixamento de simetria, embora estudos futuros de difração de raios-X com a pressão certamente se fazem necessários. Observou-se também que todas as modificações são reversíveis quando a pressão é diminuída e retorna novamente à pressão atmosférica. [R. Silva, A.J. Ramiro Castro, J.G. da Silva Filho, F.F. de Sousa, W. Paraguassu, P.T.C. Freire, P.F. Façanha Filho, Spectrochimica Acta A 262, 120076 (2021)].
terça-feira, 6 de julho de 2021
Nova Coordenação do LAP
UM POUCO DE HISTÓRIA:
O Laboratório de Altas Pressões (LAP) do Departamento de Física da Universidade Federal do Ceará foi fundado em 1995, quando do retorno do Prof. Paulo Freire do seu doutorado realizado na Unicamp sob a orientação da Profa. Vólia Lemos, trazendo emprestada uma célula de pressão a extremos de diamantes. Entre a sua fundação e o ano de 2020 o LAP esteve sob a coordenação do Prof. Paulo Freire. É interessante lembrar que ainda na década de 80 do século passado, mesmo antes da fundação de um laboratório de altas pressões na UFC, os Profs. Josué Mendes e Erivan Melo trabalharam com a Profa. Vólia Lemos no estudo das propriedades vibracionais de cristais de sulfatos de metais alcalinos, pesquisas essas também realizadas na Unicamp.
Profs. Josué Mendes, Paulo Freire e Erivan Melo (foto de 2013).
No período 1995 - 2020 diversos estudantes do Programa de Pós-Graduação em Física da UFC, sob a orientação de vários professores, desenvolveram trabalhos relacionados às propriedades vibracionais e estruturais de cristais sob altas pressões, em particular utilizando-se células de pressão a extremos de diamantes. Entre esses estudantes que hoje são pesquisadores/ professores de destaque em diversas instituições estão os Profs. Antonio Gomes (UFC), que posteriormente realizou variados estudos nas propriedades vibracionais, estruturais e eletrônicas de alótropos do carbono sob condições extremas, o Prof. José Alves (UFC), que vem realizando pesquisas em cristais de aminoácidos e seus sais sob altas pressões, além dos Profs. Cleânio Luz e Gardênia Pinheiro (UFPI), Pedro Façanha e João Victor Moura (UFMA) e Waldeci Paraguassu e Francisco Ferreira de Sousa (UFPA), entre outros. Como consequência das pesquisas realizadas no LAP pelos estudantes do Programa de Pós-Graduação em Física da UFC, também foram publicados cerca de 100 artigos em revistas indexadas internacionais, conforme gráfico abaixo.
EM DIREÇÃO AO FUTURO:
A partir desse ano, 2021, a Coordenação do Laboratório de Altas Pressões passa às mãos do Prof. José Alves de Lima Júnior. O Prof. José Alves concluiu o bacharelado, o mestrado e o doutorado em Física na Universidade Federal do Ceará. Entre 2009 e 2010 realizou um estágio de Pós-Doutorado na Universitè Pierre et Marie Curie, em Paris, realizando pesquisas em altas pressões. Faz parte do colegiado do Programa de Pós-Graduação em Física da UFC, tendo orientado até o momento três dissertações de Mestrado, cinco teses de Doutorado e publicado 50 artigos em revistas internacionais. O Prof. José Alves está implementando duas novas células de pressão, uma para trabalhar com baixas temperaturas e outra para realizar medidas de difração de raios-X. Ao mesmo tempo, o Prof. José Alves coordenará a mudança do laboratório para uma nova sala na expansão do bloco de laboratórios do Departamento de Física da UFC. A expectativa é que as futuras pesquisas forneçam novos e interessantes resultados. Que os próximos 25 anos sejam bastante frutíferos!
terça-feira, 9 de fevereiro de 2021
Perovskita CH3NH2NH2PbCl3
Compostos híbridos orgânico-inorgânico com estrutura perovskita têm se revelado importantes materiais com possibilidades de aplicações diversas. Alguns desses materiais apresentam propriedades multiferróicas, dielétricas, barocalóricas, entre outras. Estas propriedades, por sua vez, podem ser draticamente afetadas por mudanças estruturais. Estas mudanças podem variar a permissividade dielétrica, por exemplo, produzir ou destruir ordem polar ou mesmo modificar propriedades óticas não lineares. Uma subclasse de grande importância entre as perovskitas é constituída pelos haletos metálicos, que apresentam importantes propriedades fotoluminescentes e fotovoltáicas, podendo ser aplicadas em células solares, LEDs, fotodetectores, entre outros. Nesse trabalho estuda-se o CH3NH2NH2PbCl3 com variação de temperatura e com variação de pressão. Através de medidas de 1H NMR, estuda-se a dinâmica do cátion CH3NH2NH2+ durante a transição de fase que ocorre em aproximadamente 345 K. Por sua vez, o sinal do 207Pb NMR permite indicar que a mudança no desvio químico isotrópico pode ser entendido como sendo devido à distorção dos octaedros PbCl6 na transição de fase. Medidas de espectroscopia Raman mostram que as mudanças são consistentes com um caráter de primeira ordem da transição de fase e um aumento da simetria a altas temperaturas. Como as modificações nos espectros Raman não são muito pronunciadas, acredita-se que ocorrem apenas pequenas distorções na estrutura e pequenos giros dos octaedros. Também foram realizadas medidas de espectroscopia Raman a altas pressões, o que permitiu inferir-se que o cristal sofre uma transição de fase entre 0,72 e 1,27 GPa. As mudanças observadas são abruptas, o que indica que se trata de uma transição de fase de primeira ordem. Tudo indica que a transição de fase está associada a distorções e giros dos octaedros. Nenhuma evidência de transição de fase adicional ou amorfização foi verificada. [M. Maczka, M. Ptak, D.L.M. Vasconcelos, L. Giriunas, P.T.C. Freire, M. Bertmer, J. Banys, M. Simenas, Journal of Physical Chemistry C 124, 26999-27008 (2020)].
terça-feira, 15 de dezembro de 2020
Cadeia linear de carbono
O carbono possui uma quantidade imensa de alótropos - fulerenos, nanotubos, grafenos, grafite, diamante, carbono amorfo, etc. - que apresentam uma gama variada de características. Os fulerenos são bons aceitadores de elétrons, enquanto que o grafite e os nanotubos são anfotéricos. Já o diamante quando é dopado com boro se torna um semicondutor, e se a dopagem for alta, um metal supercondutor. Sob altas pressões e altas temperaturas essas formas de carbono apresentam complexos diagramas de fase. Assim, aumentando-se a pressão o grafite hexagonal pode se transformar em grafite ortorrômbico e desse passar a diamante. O carbono amorfo sob certas condições de pressão e temperatura se transforma em grafite. Quando o grafite é comprimido à temperatura ambiente, em torno de 14 a 17 GPa, ele se transforma num sólido isolante, transparente, possivelmente a chamada fase "M-carbon", uma fase monoclínica do carbono. Já essa fase monoclínica se transforma em diamante acima de 70 GPa. Os nanotubos, junto a catalisadores e submetidos a altas pressões, podem se transformar em nanodiamantes, da mesma forma que fulerenos sob altas pressões e altas temperaturas também se transformam em diamantes. O grafeno, por seu turno, é bastante estável a altas pressões, embora o meio compressor e o substrato onde ele seja colocado possua uma influência não desprezível no comportamento do material. Outras formas de carbono, incluindo carbinas, nanopontos, carbon horns e carbon onions também apresentam interessantes propriedades sob altas pressões. Assim, o estudo sob condições extremas de formas alotrópicas do carbono se constitui num ativo campo de pesquisa na atualidade.
Entre os alótropos não muito comuns do carbono, estão as cadeias lineares (LCC, linear carbon chains). Elas são estruturas de carbono com potencial de aplicação tecnológica, como possíveis fios para a nanoeletrônica. No artigo abaixo, que contou com a participação de um pesquisador do Departamento de Física da Universidade Federal do Ceará (além de pesquisadores dos Estados Unidos, Coréia do Sul e Japão) os autores estudaram quatro diferentes LCC encapsulados em nanotubos de carbono de paredes múltiplas. A partir de um modelo de força anarmônico, baseado na natureza anarmônica das ligações carbono - carbono, os autores conseguem descrever o amolecimento de um modo característico do LCC, além de fornecerem o módulo de Young, o strain, e o parâmetro de Grüneisen do LCC. Em particular, mostra-se que o módulo de Young e o parâmetro de Grüneisen seguem uma lei universal do tipo 1/P e que o strain possui um comportamento que segue uma lei P elevado ao quadrado. Alguns resultados adicionais já existentes na literatura também foram explicados pelo modelo apresentado.
Referência: K. Sharma, N.L. Costa, Y.A. Kim, H. Muramatsu, N.M. Barbosa Neto, L.G.P. Martins, J. Kong, Alexandre Rocha Paschoal, P.T. Araujo, Physical Review Letters 125, 105501 (2020).
domingo, 1 de novembro de 2020
Encontros de Altas Pressões
Nesse ano de 2020 ocorreria um encontro presencial em Fortaleza com a comunidade de Altas Pressões do país. Entretanto, por conta da pandemia da COVID-19, esse encontro foi postergado para o ano de 2021. De qualquer forma, esse é um período que pode ser usado para resgatarmos um pouco a história dessas conferências. De acordo com um levantamento realizado recentemente, até o presente momento tivemos 10 encontros/ workshops/ conferências sobre o tema de Altas Pressões no Brasil (sem contar escolas). Dessas dez conferências, quatro tiveram um caráter internacional (as descritas em 4, 6, 9 e 10). Segue, então, os encontros com os seus títulos, as datas de realização, as cidades onde ocorreram e os seus organizadores.
quinta-feira, 1 de outubro de 2020
2-hydroxy- 3,4,6-trimethoxyacetophenone
A acetofenona 2-hydroxy-3,4,6-trimethoxyacetophenone (C11O5H14) foi obtida de uma planta, Croton anisodontus Müll. Arg., que é uma espécie endêmica da caatinga do Nordeste do Brasil. Esse estudo, portanto, continua uma linha de pesquisa no laboratório que visa caracterizar as propriedades vibracionais e estruturais de substâncias extraídas de plantas do bioma especificado acima. O artigo é parte da tese de doutorado do Prof. Roberto Namor Silva Santiago da UFERSA. Nele, estuda-se o comportamento da acetofenona a baixas temperaturas e a altas pressões. No que se refere especificamente ao estudo de pressão descobriu-se que a estrutura é estável até a máxima pressão estudada nos experimentos, no caso, 9,7 GPa. Entretanto, pequenas mudanças conformacionais - possivelmente mantendo a simetria da célula unitária invariante - foram também observadas. [Low-temperature and high-pressure Raman spectroscopy of 2-hydroxy-3,4,6- trimethoxyacetophenone isolated from the Croton anisodontus Müll. Arg., R.N.S. Santiago et al., Vibrational Spectroscopy 110, 103143 (2020)].
HISTÓRIA: Cristais de sulfatos
Durante a década de 1980/1990 um importante tema de estudo no grupo de Física do Estado Sólido no Departamento de Física da Universidade Fed...
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O presente trabalho investigou o comportamento vibracional dos cristais In2-xYxMo3O12 (x = 0,0 e 0,5) para pressões de até 8 GPa. Uma trans...
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Conseguiu-se atingir, nesse trabalho, pressões superiores a 20 GPa num estudo realizado com a forma C do ácido palmítico, (CH3 –(CH2)14 –COO...
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Nesse trabalho o nitrato de glicina foi estudado por espectroscopia Raman até pressões de 5,5 GPa. Foram investigados modos vibracionais at...







